Blog do Ventura

Sobre um pouco de tudo e um muito de nada.

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Terra Blog

17.07.09

A fantástica história da Terra do Nunca

    A ponta do princípio é alto quanto o céu e baixo quanto a terra que beira
o precipício. Saltar sobre os ares de forma semi-sintomática é rabiscar as
primeiras palavras, e os braços abertos parecem que de certa forma tem um poder excepcional, tanto pela gravidade quanto pelo sucesso de uma história fantasiosa.
    Fantasiar o inesperado. Meu mundo de maravilhas segue um coelho branco pela floresta, e as xícaras de chá inesperadamente falam. Alguém está atrasado, o tempo todo, mas parece que meia noite é o horário certo de feras ficarem mansas e moças certas perderem a certidão. Do óbvio. Maçãs são frutas venenosas e sapos são majestades imperialistas.
    É provável que tudo talvez pende para um lado mais obscuro, e trevas
tenebrosas permeiem magias ocultas e laços sutis de um perigoso diabolismo.
    Mas certo como o verde de árvores frondosas é a satisfação serena de
viver o imaginável como atos reais e verdadeiros. A mente conquista terras
inexploráveis, sendo que pouco se compara ao prazer de voar pela fantasia de piratas sem olho e crocodilos que comem relógio.
    Tic-tac sobre o tempo do pensamento inocente. Até o coelho se apressa
pra se esconder na toca.
    E lá vem a menina Alice, que hoje é tão pequena, mas amanhã será grande o bastante para guardar em páginas amareladas suas longas aventuras por países que só existem de forma subliminar.
    Explicitamente confesso: o irreal é mais feliz e prazeroso do que as
coisas que vejo com meus olhos literais, e a terra que não tem fim é mais
apropriada para aqueles que não envelhecem, e cujas boas lembranças jamais se tornam adultos que não tem tempo pra dormir.

 

 

 

 Andinho_º

30.06.09

9 de Julho

    A expectativa de vida dos brasileiros está em torno de 73 anos, segundo divulgações recentes. Isso significa que eu vivi praticamente um terço da minha vida. Isso, logicamente, se considerar que eu chegue aos 75 anos, o que sinceramente não acho que aconteça.
    Poderia fazer uma lista dos 25 melhores momentos que passei, ou das 25 pessoas mais importantes para mim, ou qualquer outra lista que contenha 25 coisas que foram importantes em minha vida.
    Mas não gosto de eleger “o melhor”, ou “o pior”, pois entendo que cada coisa tem o seu devido valor, e que isso é relativo, mesmo para mim. Relativo como a maioria das coisas são.
    Isso foi uma das coisas que aprendi na vida, a relatividade de tudo. Aliás, aprendi muita coisa. E neste terço que completo, acho melhor listar as maiores lições que aprendi. Afinal de contas, isso é o que importa.
    Porque os anos passam muito rápido, e se você não parar para senti-lo, e extrair ou absorver alguma coisa, não acrescentará nada à você mesmo, e se tornará apenas um ponteiro velho, onde uma maquininha faz você girar, e girar, e girar, e avançar sobre as horas, e sobre o tempo, tudo de forma automática e mecânica, e quando você menos espera, já são meia-noite, e seu dia encerrou, e você nem ao menos percebeu o vento carregar as folhas que caíram no seu quintal.
    Muitas folhas caíram sobre o meu quintal. E quando novos ventos soprarem, e quem sabe me carregarem como cinzas num vendaval, levará também algumas lições aprendidas e retidas no pouco que obra da minha razão esquecida.


  Beijos não são contratos e alianças não são promessas. Promessas são apenas promessas, palavras frágeis que perdem a força com o passar do tempo.


  O tempo não cura todas as feridas, e algumas perduram por um certo período, e você é obrigado a conviver com elas.


  Cura para qualquer mal é a paz interior, e não há nada que se compare ao bem que faz ter uma consciência tranquila.


  A compreensão e um sorriso sincero valem mais que qualquer palavra.


  Todos erram e todos podem errar. Por isso, não vale a pena ficar admirado ao saber que essa ou aquela pessoa cometeu algum pecado mortal. Julgar outros é uma total perda de tempo e algo que definitivamente não lhe compete fazer.


  Para corrigir erros, é preciso acima de tudo ter humildade, e essa é uma qualidade muito difícil de se cultivar.



  O orgulho é um veneno mortal.


  A auto-piedade é um veneno mortal.


  A vida é curta, mas viver como se nunca fosse morrer é uma ilusão necessária.


  A morte nunca será compreendida e nem aceitada.


  A morte santifica as pessoas, mas quem disse que queremos ser santo?


    E o que eu quero ser? Um pouco mais do que fui até hoje e um pouco menos do que desejam que eu seja.
    Minha expectativa de vida está entregue ao tempo, e que o tempo faça o relógio da minha vida continuar girando, por 25, 50 anos, ou quem sabe por um tempo ilimitado. Porque o limite é só uma barreira que inventaram e que impede apenas aqueles que não sonham.







 Andinho_º

06.06.09

The ballad of John and Yoko

     É impressionante como a genialidade de alguns se transparece facilmente em composições que viram sucesso no mundo inteiro. O que a vaidade e a soberba faz nestes casos é apenas colorir um pouco mais o produto, para que dessa singela forma não se torne perfeito demais ao ponto de causar aversão em vez de atração.
     Atração à formação simples de quatro colegiais ingleses que numa bela tarde em Liverpool resolveram montar uma banda do até então recente novo gênero musical chamado rock and roll.
     As pedras rolam. E rolaram com batidas e acordes simples de bateria e guitarra, e um contra-baixo canhoto com levadas nada extraordinárias, e uma voz no vocal nem tanto especial, mas porém com letras e ritmos contagiantes, procedentes de um casamento musical que fez história na história que se estende por anos e décadas nas mentes velhas e jovens que apreciam e sempre apreciarão a boa música.
     Um relacionamento a quatro, com cenas e momentos de amor mútuo, devoção, ciúmes, intrigas, e com uma consequente separação.
     Antes do fim, porém, essa relação pactual produziu bons frutos. Quando belas letras e acordes convincentes brotaram da mente e mãos dos dois que estavam a frente da união, Paul e John, o resultado foi um sucesso estrondoso que invadiu todo o Reino Unido, e conquistou a América, o Japão, e todo o mundo. A histeria se espalhou entre jovens que dormiam em frente a hotéis apenas para ver estes quatro rapazes que no palco usavam terno e mantinham um corte de cabelo padrão.
     Padrão como o sucesso de hits que embalaram toda uma geração.
     Toda relação, porém, enfrenta problemas, e não foi diferente com esse casamento. Neste caso, os problemas foram tantos que levaram a um final nada feliz. O sonho acabou oficialmente em 10 de abril de 1970, quando Paul McCartney foi a público anunciar que os Beatles tinha acabado.
     Na verdade, logo depois John Lennon afirmou em entrevista que ele já tinha saído da banda alguns meses atrás. Isso aconteceu provavelmente quando retornou de uma viagem pela Europa com Yoko Ono, sua esposa.
     Yoko Ono, aliás, foi quem ficou com a fama até os dias de hoje de ter sido a responsável pelo fim dos Beatles.
     John e Yoko fizeram de sua união matrimonial uma união artística também, e disso surgiram alguns trabalhos de sucesso. Lennon se empenhou em movimentos pacifistas, e letras como a de “Imagine” viraram hinos da luta pela paz no mundo. Que contradição foi em 8 de dezembro de 1980 ele morrer assassinado...
     A história de Yoko e John, transformada hoje em um ícone do século XX, se resume em várias aparições públicas, frases célebres e fotografias polêmicas, reflexo de muita música, muito ativismo antibelicista e muita contestação.
     Já se passaram 40 anos do casamento do músico mais influente dos Beatles e uma obscura artista japonesa. Já se passaram 50 anos do casamento dos músicos mais influentes do mundo e um grupo musical de sucesso. Já se passaram quase 40 anos que a banda acabou. Já se passaram quase 30 anos que John Lennon morreu.
     O fim desse sonho todo, porém, na mente de fãs do mundo inteiro na verdade nunca ocorreu. Porque The Beatles ainda soa, e continuará soando sua influente balada por todo o mundo. Nos quatro cantos da terra, as pessoas ainda são influenciadas por estes personagens deusificados na paganidade do rock e no misticismo da música. Ontem, hoje, amanhã e sempre.
     Ringo, George, Paul and John: the dream never ends!

 

 Andinho_º

27.05.09

Os jardins suspensos da Babilônia

    Anti-circunstancialmente, diria que muito provavelmente minha mente
caminha numa montanha de densas neves cujos ventos sulinos a circundam em meio a explosões de insensatez que permeiam neurônios transeuntes.
    Dessa vez não vou gritar estridente, apenas cantar suavemente o
prelúdio de desventuras em série. Anti-circunstancialmente.
    Queria aprimorar meu presente com enfeite de um passado terno e um laço charmoso de um futuro certo. Um amanhã aberto.
    Espero talvez me encontrar nos esboços de discursos antigos, nas
palavras bem proferidas e por horas ensaiadas, aplaudidas e admiradas, como sorrisos de velhos amigos.
    E nas palavras bem pensadas, quem dera me cercar novamente por elogios rasgados, que alimentam não apenas o ego ou o orgulho traidor, mas verdadeiramente o espírito e a vontade sincera de usar um dom imaginado num objetivo consagrado, claro e dirigido. Quem dera que meus gestos na tribuna mantivessem a força de uma explosão, e não apenas a discrição de um ruído.
    Na minha história entediante, os anjos não tem asas de cordel e nem a
aparência de Michelangelo. O céu é claro, mas não anil, e o barulho da chuva não soa como notas de um piano.
    Na minha sinfonia de soprano, os gritos que por aí escuto incomodam um pouco mais quando adormeço a minha fé. E é estranho caminhar no silêncio, andando a esmo, guiado por meu próprio esquerdo e errante pé.
    Sei muito bem que os caminhos que percorro não levam a algum lugar
melhor, e é certo que jamais hão de levar. Mas a vida é uma folha branca,
pálida como o suspiro romântico, com linhas largas, esperando letras azuis que a possam completar.
    Basta apenas ter vontade, e a vontade se aperfeiçoar à realidade, e a
realidade finalmente fazer frente a um progresso concreto, bem menos incerto e pobre que essa mente, que por anos e períodos vive num tenebroso universo de escassez.
    Ao menos mais uma chance. Ao menos dessa vez.

 

 

 

 Andinho_º

13.05.09

Quem morre de gripe suína vira espírito de porco?

      Eu odeio alienação, sensacionalismo e sorvete de milho verde. Se uma semente de mostarda cai no chão do sítio do Seu Agenor lá no Pará, a impressa já transforma o acontecido num meteoro que caiu no meio da avenida paulista, espalhando à toda população uma nova doença alienígena misteriosa, onde em pouco tempo já tem relatos confirmados de contágio na Europa, Ásia, e com o tempo o mundo todo está se acabando em espirros de um resfriado mortal. Aliás, se dependesse do sensacionalismo da imprensa mundial em relação a todos os problemas que o mundo passa, este velho e desgraçado mundo já teria se acabado antes mesmo dos dinossauros, e eu não estaria aqui neste exato momento escrevendo toda essa minha indignação sobre as novas notícias velhas que ouço. E apenas para ficar registrado: foda-se a crise! E se acaso espirrar, saúde!
    Tantas questões mais importantes aqui para eu me preocupar... Perguntas importantes que fazem zunido no meu cérebro de alcaparra, tais como: porque o céu é azul?
    Mas ora ora, não fique triste, pobre rapaz. Saiba você que existe o Google. Depois da Coca-cola e do McDonalds, esta foi a melhor invenção de todos os tempos. A fonte infinita do saber, a modernidade e a tecnologia aposentando páginas e páginas de livros, enciclopédias e dicionários.
    Internet boa e internet má. Liga o mundo em fios de idiotice, ondas de mau-caratismo e redes de intrigas malignas. Se o diabo é o pai do rock, ele é o que da internet? Padrasto?
    Mas eu não me importo, porque eu admito que passo muito tempo navegando nestas águas cibernéticas. Eu faço o que odeio, e desfruto do que reprovo. Eu sei, sou uma contradição, mas quem não é?
    Aproveito para dizer também que, além de suco de manga e doce de amendoim, odeio também puxa-saquismo, hipocrisia, falsidade e tudo o mais que faça as pessoas terem duas ou três faces. Pessoas covardes não são aquelas que fogem de brigas, mas são aquelas que fogem delas mesmas quando não assumem os seus atos.
    Poucos mundos em muitos males, muitos males em pouca cura, mas toda cura para todo mal existe, e é uma plantinha sem-vergonha chamada arnica. Para o resto eu tomo um analgésico qualquer e fica tudo certo.

 

  Andinho_º